Em 1973 eu, com 11 anos, tinha no Bobby Van, um humorista desconhecidíssimo no Brasil, o meu ídolo. Talvez pelo fato de que ele, no malfadado Lost Horizon - filme barato, produzido às pressas e com baixa bilheteria - ele tenha sido ele próprio e dançado e cantado, ensinando as crianças a perguntarem uma resposta para que ele respondesse uma pergunta.
Eu mesmo tive umas 3 calças brancas nessa época. A década de 1970 permitia você circular com qualquer coisa sem que a caipirada conservadora que existe hoje ficasse enchendo o saco.
Anteontem, olhando o clip de Bobby Van, descubro outros clips dele, e tristemente leio que ele morrera em 1980, a década maldita. Todos meus ídolos despencaram ou morreram nessa década. Ao contrário dos vapores de 1970, os proximos dez anos foram um analgésico: a pior moda, as piores músicas, o pior povo. E para piorar, meus ídolos morrendo um a um, eu me formando num período de crise econômica ferrada, um plano econômico atrás do outro, o dinheiro mudando todo dia, a inflação galopante, eu fazendo trinta anos nessa década de merda.
Pensando nisso tudo, desopilei meu fígado vendo Bobby nessa cena, alegre e saltitante. Saltitante não seria bem o caso, mas exaustivamente saltitante.
Depois vi uma cópia "homenagem" numa baladinha insípida:
(notem como o saltador sai de um buraco abaixo da escada onde a garota blazé canta a baladinha nheconheco)
Ao fim de tudo, me deu um banzo de 1970 e aumentou meu asco pelos dias de hoje. Como dizia Dom Quixote, "Tempos detestáveis, Sancho!"
Sunday, 1 March 2009
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