Tuesday, 31 March 2009

Desenganos da vida humana metaforicamente


É a vaidade, Fábio, nesta vida

Rosa, que de manhã lisonjeada,

Púrpuras mil, com ambição dourada

Airosa rompe, arrasta, presumida.

É a planta, que de abril favorecida,

Por mares de soberba desatada,

Florida galeota empavesada,

Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza,

Com presunção de Fênix generosa,

Galhardias apresta, alentos preza:

Mas para se planta, ser rosa, ser nau vistosa

De que importa, se aguarda sem defesa

Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
Gregório de Matos

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