Queridos, eu queria lhes falar das mais esperançosas perspectivas, mas de um tempo para cá, além de sonhar em preto e branco, meus sonhos emudeceram.
E olha que neles não há piano ou pianola. Há só um som de ar condicionado (ou o interior de um avião) e os sonhos são normalmente uma mostra aflita do lado civil de uma guerra onde eu estou sempre do lado que vem perdendo.
De modo que, me perdoem, mas eu creio que estou virando um bundão na vida. Não tem mesmo valido a pena ficar furioso com as coisas e pessoas imperfeitas, nem tem valido a pena fazer o papel de bonzinho com essas mesmas coisas e pessoas, sendo o eternamente panaca, levando desvantagem em tudo.
Decidi que vou virar um cogumelo e vegetar até o apocalipse. Mas se enfim o fim do mundo não vier, me contentarei de ver a morte e o sem sentido da vida consumindo a tudo e a todos, me contentarei em ver o cético desaparecer feito poeira na esperança de ser convencido a acreditar, e quero ver o crédulo perecer no mais absurdo silêncio de Deus, o safado se arrepender e ser tarde para ele, e o fariseu bater no peito e - puf - evaporar sem piedade.
Meu tédio com o mundo ultrapassou o ódio furioso contra as imperfeições e diametralmente a frieza da indiferença blasé: de saco cheio, quero que a ideia da vida grega, exuberante e feliz, se exploda junto com os filósofos mentirosos que a prodigalizaram. Enchi o saco "de com força"...
Monday, 16 March 2009
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