Thursday, 10 July 2008

tratado do choro

Encontrei, caido no chao de um pub, um pequeno livro do tamanho de uma caixa de fosforos. Algumas paginas foram arrancadas, mas o pouco que sobrou eh interessante: "small compendium about crying", ou "pequeno compendio sobre o ato de chorar". Algumas passagens:

Descubro que o meu choro - quando eu choro - trata-se da mais profunda revolta: meu choro, mais que um protesto, eh um amaldicoar a vida. Sim, da vida, do que se tem e nao se pode transferir como experiencia. Meu choro eh minha morte sobre o mundo, morte antecipada, aonde eu digo: 'mundo, eu te rejeito', qual uma crianca rebelde.

...meu choro eh a recusa do mundo, eh jogar sobre o mundo, sobre as circunstancias e sobre as pessoas, sobre as estrelas, as galaxias e universos, meu imenso desdem por suas imperfeicoes, por suas injusticas, por suas ridiculamente pateticas adaptacoes. Meu choro desdenha de Deus depois que comeca e o pranto nao o toca mais. Fosse Deus tocado por meu pranto e talvez eu parasse.

... o choro eh uma dobra sobre o cotidiano, dentro da qual protestamos num lamento amargo a realidade. O reclame eh sempre o mesmo: a realidade eh injusta.

E depois de todos chorarem, o brinquedo de Deus estragou, por que ninguem mais queria mesmo viver.
Depois traduzo mais e vou colocando aqui.

Lagrimas para todos.

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