Rainer Maria Rilke, Cartas a um Jovem poeta.
Saturday, 8 September 2007
Quererás mesmo saber quem és? Há que organizares a tua vida à volta da observação dos pormenores insignificantes e se isso não for suficiente convoca todas as riquezas da infância que a memória te guardou. Porque para o criador não há escassez, apenas Necessidade, Solidão e Silêncio. Concentra-te e por horas não vejas ninguém. Porque «nas coisas mais profundas e mais importantes, estamos indizivelmente sós». O criador deve ser capaz de ouvir os sussurros silenciosos que ecoam na sua cabeça e escrever sob ditado. Não te afrouxes com as críticas, não servem para nada. Bem sabes que as obras de arte são Indizíveis e não apreensíveis. A paciência será fundamental para as conseguires parir. O dia também espera pela luz para nascer. Toda a beleza, pureza e ingenuidade perder-se-ão com a força bruta. Torna-te Lúcido e Atento ao que te rodeia. Tudo o que é sério é difícil e tudo o que é importante e necessário é sério. Numa ideia genial estão contidas longas noites de amor, centenas de lágrimas esquecidas e milhares de sorrisos vividos. Quanto já não terás de ter Vivido, Sentido e Sonhado para conseguires criar um único verso decente? E lembra-te: terás de criar espaço suficiente à tua volta para conseguires ver as estrelas. Só mais uma coisa: tem assente que não encontrarás o caminho na Compreensão e nos Conselhos.
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
este texto parece traduzir, com clareza, o momento de crise em que me encontro.
ReplyDeleteai de mim!