Monday, 12 January 2009

A propaganda

Deixa eu te falar uma coisa: eu não estou interessado.

Por mais que você pense que é um(a) herói(na), eu estou cagando os montes para seu sacrifício (foi mesmo um sacrifício? Que pena, heróis antigos não se sacrificavam, mas transbordavam, davam o que davam porque era excesso... faziam o que era preciso sem essa notinha com o imposto já descontado, como nossos heróis e heroínas atuais, você sabe, como diz o ditado: "benefícios alegados, pagos estão", era assim que destilava a venenosa da minha mãe...)

Mas como eu dizia: não estou interessado!

Você não reparou, mas o meu olhar para você, staring, na verdade não te admira, ele olha, mas é um olhar de escárnio.

Eu zombo de você a cada propaganda que você faz,
toda vez que você diz que algo ou alguém é melhor,
eu já penso exatamente o contrário.

Se você diz algo, eu penso que na verdade você está vivendo o oposto. Você é desonesto e mentiroso.

Quando você diz coisas que todo mundo toma como sábias, eu me contorço de raiva, querendo te dar uma porrada na cara por tratar a maior parte das pessoas, que são idiotas, sem o menor sentido de dó, de pena, de miséria no coração. Você argumenta um valor social mais alto, mas mentiroso. Você mente tratando a todos igualmente.

Você não tem pena de ninguém, mas você sabe pôr a culpa em todo mundo.

O meu desinteresse por você cresceu a partir do momento em que eu percebi que posso muito bem levar a vida sem você:
sem suas culpas,
sem suas limitações,
sem suas modas e tendências,
sem seus ditos populares e sem o "começar de novo" daquele chato do Ivan Lins, aquela dor no ovo...

Como eu disse, eu não estou interessado.

Não me fale mais nada, porque você já falou demais.

Você já opinou
grotescamente
dizendo como a vida deveria ser,
me disse para comprar eletrodomésticos nesse e naquele lugar,
me disse que faria um preço mais baixo,
me disse que sua fórmula é melhor para minha saúde.

Vou repetir para você entender: eu não estou interessado.

E toda vez que eu vir um de seus amigos
fazendo essas propagandas mentirosas,
acreditando que a fala pode ser bela
sem que diga a verdade,
eu vou repetir um milhão de vezes:
não tenho o menor interesse:
eu te desprezo.

(dedicado a todos publicitários, desenvolvedores de marketing, especialistas em propagandas e outros mentirosos. Um jato de vômito em todos vocês.)

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