Dia dificil, mas tudo bem. Nem me lembro de ter acordado, e jah estava arrumando as coisas pra partir. De repente, saido do nada e apos 2 anos sem o ver, Craig chega com a mae, a me lembrar 4 anos atras onde eu era tatibitati no sotaque de yorkshire. Eles sao de Lincoln, uma linda cidade mais pra sudeste, e ja o sotaque de lah eh completamente diferente, cheio de "glottal stops", silabas interrompidas na garganta (pronuncia-se "glo'al stop", onde o "t" vai pra garganta).
Discuto com minha mae, desesperado, tentando ver onde foram parar os 25 quilos de roupa que eu mandei antes de viajar, e como soe ser, sinto-me o responsavel por tudo estar dando errado. Minha mae, no final me consola: "para de bobagem, isso se resolve", e eu olho para as duas malas estupidas e elas encolhem: eh mesmo, isso eh ridiculo.
Peter chega lepido e fagueiro, e ajuda a limpar gavetas, por o lixo fora, revisar se a papelada que vai no lixo era importante ou nao. Amigos anjos da guarda.
A cada papel, foto, gadget, uma lembraca dos ultimos 4 anos. Isso foi o mais estressante de tudo, o de relembrar bons momentos atraves de miudezas e ter de joga-las fora em nome de uma bagagem mais leve e uma memoria mais saudavel. Nao sem antes chamar todos os avioes do universo de "invencao filhedaputa", olhando as malas...
Quase 10 horas da noite, e a campainha soa. Para minha surpresa, completando o bagaco emocional em que me transformei ao longo do dia, Richard aparece, sem saber que eu estava de partida. Desde o dia em que ele me infernizou por nao querer sai pra celebrar o meu Viva, impliquei feito menino e nao mandei cartao de despedida. O resultado eh que agora, vendo-o ali na minha frente, de surpresa, eu chorei feito um garotinho, choro contido, porque jah nao tenho muita lagrima nao. Choramos juntos.
Peter por perto faz o ambiente mais light, coisa de anjo.
Ficamos conversando, eu absolutamente exausto, vendo os dois pela ultima vez.
"Que povo estranho", penso eu.
Penso assim, mas choro, e ainda choro agora ao escrever, pensando que vou sentir falta deles.
Volto a ficar sozinho, calculando o peso das malas e lamentando nao ser estupidamente rico, sim, quase que magicamente rico, para poder pagar pelo transporte de miudezas e lembrancas, de amizades e momentos inesqueciveis.
Adeus, minha Inglaterra.
Tuesday, 12 August 2008
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O que não coube nas malas, talvez até o que coube, são coisas extremamente mais leves que o que está aí dentro de você. O peso do amor, que não tem faxina que alivie... tá tudo aí dentro, se preocupa não. O que você precisa, está levando, o que ficou pra trás foram só carcaças. O conteúdo ninguém te tira. Nem se perde no choro. O choro, aliás, é como se fosse um recibo. Uma nota fiscal volátil que mostra o balanço das suas emoções. É difícil comentar qualquer coisa sobre a delicadeza de um momento desses que eu conheço tão bem e que mesmo assim, passo longe de saber explicar... mas como sou atrevido, cá estou!
ReplyDelete:D
ABRAÇO, AMIGO!
esse hélio é muito bacana. e vc esta escrevendo cada vez melhor.
ReplyDeleteoutros ventos
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