Hoje minha cabeça está misturando tudo, um cansaço que provavelmente é consequência de quatro anos com uma batata na boca para falar o meu inglês mirradinho. Sim, mirradinho, sou humilde, anos de cursinhos, professores picaretas e coleguinhas arrogantes, mais a falácia que é o fato de todo brasileiro falar um inglês macarrônico texano-mineiro pensando que fala mesmo inglês – somem esses ingredientes e terão assim a dimensão do meu trauma. Sim, eu não falo bem o inglês, mas conheço muito poucos brasileiros que o falam realmente bem. Eu estou, no máximo, alinhado com a arrogância nacional que gosta de desfilar soltando frases em pronúncia “genuína”. Comentaristas culturais, a maioria deveria ser expatriada, de tanto “inglês” que falam.
Aqui, ao longo de 4 anos, fui pondo abaixo alguns mitos estúpidos que nos contam, quando somos jovens acerca da língua inglesa. O primeiro é o mito de que “o inglês é fácil”. Cada vez que lembro de alguém dizendo isso, me ocorre o que eu pensava, em silêncio: “esse SEU inglês deve ser realmente fácil”.
Coisa nenhuma de fácil. Uma língua cuja pronúncia se estressa no tempo, cuja gramática é absolutamente fragmentada, e o pior: um vocabulário sem raiz no latim, para o pesadelo de todos falantes do português. Essa pronúncia se complica ainda mais, quando elementos de história a modificam, justificam, modelam. Uma língua que, contrária a lingua regrada que é o português, não segue regras lógicas, tanto na pronúncia quanto na gramática ou no significado de seu vocabulário. Louca, sintática e semânticamente louca.
Outro mito é o de dizer que o inglês é a língua mais falada no mundo, seja na acepção de um mundo comercial ou cultural, ou o que seja, ainda mais justificando: “o inglês tornou-se universal porquê é fácil.” Entretanto, se a Polônia dominasse o mercado historicamente como os países de lingua inglesa o fizeram, tenho certeza que no Brasil os adolescentes estariam hoje nos torturando com baladas cantadas em polonês.
Para aumentar meu complexo de inferioridade, vou lhes contar um pequeno caso. Há alguns anos, eu não tinha à mão o Skype e o MSN nem uma boa conexão tanto para bater papos quase diários em português. Num dia em que eu estava quase enlouquecendo de saudades do português, uma amiga me apresentou uma colega sua que estudava português. Meu sorriso de felicidade e encantamento por aquela menina quase me comprometeu, tão ávido eu estava para falar minha lingua e ser entendido. Ela também pareceu feliz, o nosso encontro era um encontro feliz. Logo nas primeiras palavras, a decepção caiu feito um véu sobre meu sorriso estúpido: o sotaque dela era o de Portugal. Sim, isso é estúpido, Deus sabe que eu amo Portugal, mas naquela hora eu queria o sotaque em português brasileiro. Foi assim que me dei conta de que norte americanos, australianos e outros falantes da lingua inglesa iriam se sentir da mesma forma se conversassem comigo e ouvissem o meu tímido inglês britânico. Por exemplo, a Ana, toda vez que eu e ela conversamos e meu amigo Peter está perto, sente esse drama. Ela vai “Pírer”... Eu, “Pítâr”...
Para piorar tudo, tenho o sotaque de yorkshire.
Coloquei essa mocinha linda porque ela tem um lindo northen accent. Uma pequena curiosidade: "what does he like for tea", aqui, significa "o que ele gosta de jantar". Tea eh jantar. Reparem que a menina, a medida em que relaxa, mais facilmente fala com o sotaque.
Tuesday, 3 June 2008
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Renato
ReplyDeleteisso significa q ta na horinha de vir embora e deleitar com uma conversa tipicamente mineira ;.;;
beijão
esqueci de dizer, mas, depois disso tudo, cheguei a conclusao de que os unicos que falam o ingles bem sao os proprios ingleses, e mais ninguem.
ReplyDeleteque delícia de txt em português
ReplyDeleteExato, exatamente. Todo santo dia, e eu disse TODO SANTO DIA, eu aprendo alguma coisa nova ou levo alguma repreensão em relação à pronúncia de uma palavra ou outra. Eu tenho amigos americanos que, juro por Deus, têm dúvidas cabeludíssimas em relação ao inglês. A falta de lógica de algumas flexões verbais e no som de vogais em determinadas palavras complica tudo mais ainda. Essa língua é uma miséria!!! Nos primeiros meses eu SONHAVA em português de tanta saudade que eu tinha... mas agora que tô voltando eu vou, com certeza, sentir falta de continuar agregando uma ou outra coisa no meu inglês todo dia...
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