Saturday, 9 February 2008

Milhoes de senhores do anzol e carapucas (cedilha, please)

O problema do seu poema, meu bem,

É que ele me tira o chão, de tantas palavras adjetivadas que contém para dizer que você vê a lua no céu. Dissesse você que vê a lua no céu, assim, tão simples, e eu te seguiria pelas linhas, parágrafos e imagens. Mas a cada sugestão linguística que você abre, eu caio como se estivesse caindo num buraco, uma estrada onde entrei inadvertidamente.

Não me seduz nenhum um pouco as figurinhas de citações incompletas que você usa. Você ilude metade de seus leitores cultivando-os com referências incompletas, piadinhas escolares pelas quais você é tomado como culto e douto. Eu aprendi que ser douto é ser simples, e falar de um modo como quem abre portas, portanto, não acredito em nenhuma das suas poses. Despreocupe-se em citar esse ou aquele filósofo, esse ou aquele sociólogo como soe ser, essa ou aquela trendy tendency, e você vai se ver diante de suas opiniões, mais visível do que estar diante desse câncer de modo jornalístico, folha de são paulo e globo, que invadem a blogosfera.

Pare de se pensar um amigo das letras. Amigos não fazem guerra antes de dizer que amam, igual ao que você faz.

3 comments:

  1. Isso foi escrito pensando no modo como EU escrevo nesse blog.

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  2. Mas de qualquer maneira é uma excelente crítica literária;)

    Eu fico feliz de ler, é difícil chegar nesses termos no que a gente lê por aí. As críticas costumam ser muito rasas porque as pessoas são superficiais, mesmo qas que gostam de literatura, apesar a aura sensível. É só lobby.

    Poder ler algo no nível de profundidade do seu texto fez meu dia:D

    beijos

    Ju

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  3. que delícia! adoro renato em tom iracundo. só não esperava pela delícia nº 2, da autoconfissão. ju também, que gente boa que tem nesse mundo. depois que minha vida virou, desde dezembro último, eu fiquei trancado. todo mundo sumiu, e eu também não tenho coragem de procurá-los mais. vou para a concha agora. um dia quero sobrar na sombra com vcs dois. sem nada para fazer, só para aprender um pouco a ser mais elementar, como sugere o renato (meu blog agora pareceu um monte de lixo pretensioso). assim a gente aprende também a gostar. antes de morrer quero saber isso. te cuidem com carinho, não façam muitas bobagens, não se unhem demais (e depois me ensinem como), pois como diz o pai do capiau do "hair", lá dos idos de 70, dos bobos cuida deus.

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