Nao sei o porque tudo mudou, mas suponho que seja o fato de eu ter caido na real e agora me perceber nao ser nada quotidiano.
Se olho agora pela janela lah fora, a mesma simpatia com que vislumbro as pessoas eh acompanhada de um profundo estranhamento por elas - o que me leva a uma curiosidade, mas tambem ao receio em conhece-las.
Se vejo as nuvens no ceu e lembro da natureza, nao lembro dela como casa, habitacao ou outra poesia parnasiana. A terra tem, pra mim hoje, uma imagem e forca tao extraordinarios que torna-se independente da minha otica narcisista, que olha e dita: "essa eh minha casa, esse eh meu pais, esse eh meu planeta".
A terra nao precisa de nada, nem de nos.
Nao ha quotidiano ficcional que dure, e consiga explicar os arroubos da terra, do planeta, ou que consiga fantasiar uma harmonia natural onde nos, humanos, tenhamos nela uma escala.
Uma certa vez li um argumento filosofico que explicava que "ser no mundo" nao era um ser arremessado sobre ele, mas vinculado aos outros, a natureza, aos deuses e a longa jornada da vida. Quanta ilusao - tomo pra mim- essas coisas trazem! A propria ideia jah eh uma tentativa de conectar o que nao tem coneccao, naturalizar o que nunca foi natural, nos fazer acostumar a uma improvavel regularidade que a vida nao tem. Intencoes aflitas em aplacar o desamparo humano e natural, a solidao trivial de existir, a existencia em movimento.

Porque nao me sinto mal em estar arremessado sobre a terra, e vagando.
E nao me sinto indisposto com a monumental solidao que isso traz.
O que eu sinto, quando encontro outros igual a mim no meio do caminho, nao eh o encontro ou a solidao como coisas sentidas e classificadas, sentimentos domados em palavras, mas um redimensionamento de tudo que me motiva a caminhar procurando.
ave rcesar!!!!
ReplyDeletegrande o prazer, grande a admiração.
grandes, os marcianos...
é interessante como até qualquer coisa que se tome, p. ex. o termo 'natureza', diz muito mais de quem o profere do que de uma suposta coisa-em-si, imaginada depois de muita viagem... : um jura de pé junto que imagina exatamente o mesmo que outro. mais um delírio inconcebível. natural porra nenhuma... realidade a vovozinha...'objeto' a casa do caralho... vai tudo se fudê, meu. minha percepção é minha. e é isso que faz dela tão linda! do amigão tata.
ReplyDeleteisso aí é um giro fundamental em direção contrária a heidegger.
ReplyDelete1- sugiro tirar o piçeudo do literário.
ReplyDelete2- ressaca post scriptum bom: te vira. queremos mais.
3- webcam nos dias de hoje é igual ipod em academias chiques de ginástica: tem que ter.
um abração do otavio.