Crianças nos claros da tarde,
cachorros na boca da noite
Os galos nos dentes do dia,
cada desejo é um açoite
Eu nunca volto nem vou, apenas sou
Aberta aquela janela, este peito estrangulado
O que não digo me queima,
não satisfaz o falado
Não te odeio nem te amo,
apenas chamo
Viaja o vento nordeste, cavalo do meu segredo
Se estás comigo distraio, se vais, eu morro de medo
Eu não me lembro nem esqueço,
adormeço
Monday, 26 March 2007
Vento
De repente, bateu a lembranca de uma musica dos 80, letra de Sueli Costa, que ia assim:
Tuesday, 20 March 2007
borrasca
Passei o dia na escola, estudantes comecando seus trabalhos, o sofrimento de alguns, e eu passeando among, tentando trazer algum animo. Me deu a impressao que meu ingles melhorou muito: qualquer palavra de alento, estimulo, animo, era per-fei-ta-mente entendida, como se eu estivesse soletrando.
Tirei partido daquilo, e falei como louco, falei e desfalei. E fui ouvido, ao menos num momento onde qualquer palavra de animo eh benvinda.
O resultado, ao final da tarde, foi um cansaco homerico, meu cerebro falando duas linguas, minha alma uma terceira, e meu coracao, como sempre, grunhindo alguma coisa que normalmente vou entender tarde demais.
Caiu, entao, uma tempestade de neve. E em cima de mim. Fui preparado, mas nem tanto. Um casaco pesado, mas pra primavera. E sai congelando o caminho de volta pra casa. Neve na cabeca dah dor de cabeca. Tempestade esquisitissima pra essa epoca do ano. Pior ainda: o ceu parcialmente azul e descendo uma neve impiedosa, agitada pelo vento frio. Lindissimo tudo, mas frio.
Meu cansaco foi tanto que ao chegar desmaiei, dormindo por uma hora, ainda de sapatos. Depois, abri os olhos, e ainda deitado fui me dando razoes pra continuar vivendo. Uma saudade fina como uma faca me cortou, a neve passando entre os dois pedacos, e meu calor indo embora, intermitente como a tal vela na chuva da Lady Diana.
Weird, voce eh muito weird....
Eu sei...
Tirei partido daquilo, e falei como louco, falei e desfalei. E fui ouvido, ao menos num momento onde qualquer palavra de animo eh benvinda.
O resultado, ao final da tarde, foi um cansaco homerico, meu cerebro falando duas linguas, minha alma uma terceira, e meu coracao, como sempre, grunhindo alguma coisa que normalmente vou entender tarde demais.
Caiu, entao, uma tempestade de neve. E em cima de mim. Fui preparado, mas nem tanto. Um casaco pesado, mas pra primavera. E sai congelando o caminho de volta pra casa. Neve na cabeca dah dor de cabeca. Tempestade esquisitissima pra essa epoca do ano. Pior ainda: o ceu parcialmente azul e descendo uma neve impiedosa, agitada pelo vento frio. Lindissimo tudo, mas frio.
Meu cansaco foi tanto que ao chegar desmaiei, dormindo por uma hora, ainda de sapatos. Depois, abri os olhos, e ainda deitado fui me dando razoes pra continuar vivendo. Uma saudade fina como uma faca me cortou, a neve passando entre os dois pedacos, e meu calor indo embora, intermitente como a tal vela na chuva da Lady Diana.
Weird, voce eh muito weird....
Eu sei...
Thursday, 15 March 2007
Monday, 12 March 2007
Cigano
Houve uma epoca em que eu era tao exatamente quotidiano que algumas cenas, uns cheiros domesticos de comida e situacoes familiares me davam a certeza de um mundo imutavel e progressista no qual eu estava inexoravelmente arraigado. Essa epoca passou quando alguns queridos desapareceram, algumas cenas (que nunca foram realmente quotidianas) cairam no esquecimento - e ate os cheiros domesticos comecaram a me dar nausea.
Nao sei o porque tudo mudou, mas suponho que seja o fato de eu ter caido na real e agora me perceber nao ser nada quotidiano.
Se olho agora pela janela lah fora, a mesma simpatia com que vislumbro as pessoas eh acompanhada de um profundo estranhamento por elas - o que me leva a uma curiosidade, mas tambem ao receio em conhece-las.
Se vejo as nuvens no ceu e lembro da natureza, nao lembro dela como casa, habitacao ou outra poesia parnasiana. A terra tem, pra mim hoje, uma imagem e forca tao extraordinarios que torna-se independente da minha otica narcisista, que olha e dita: "essa eh minha casa, esse eh meu pais, esse eh meu planeta".
A terra nao precisa de nada, nem de nos.
Nao ha quotidiano ficcional que dure, e consiga explicar os arroubos da terra, do planeta, ou que consiga fantasiar uma harmonia natural onde nos, humanos, tenhamos nela uma escala.
Uma certa vez li um argumento filosofico que explicava que "ser no mundo" nao era um ser arremessado sobre ele, mas vinculado aos outros, a natureza, aos deuses e a longa jornada da vida. Quanta ilusao - tomo pra mim- essas coisas trazem! A propria ideia jah eh uma tentativa de conectar o que nao tem coneccao, naturalizar o que nunca foi natural, nos fazer acostumar a uma improvavel regularidade que a vida nao tem. Intencoes aflitas em aplacar o desamparo humano e natural, a solidao trivial de existir, a existencia em movimento.

Porque nao me sinto mal em estar arremessado sobre a terra, e vagando.
E nao me sinto indisposto com a monumental solidao que isso traz.
O que eu sinto, quando encontro outros igual a mim no meio do caminho, nao eh o encontro ou a solidao como coisas sentidas e classificadas, sentimentos domados em palavras, mas um redimensionamento de tudo que me motiva a caminhar procurando.
Nao sei o porque tudo mudou, mas suponho que seja o fato de eu ter caido na real e agora me perceber nao ser nada quotidiano.
Se olho agora pela janela lah fora, a mesma simpatia com que vislumbro as pessoas eh acompanhada de um profundo estranhamento por elas - o que me leva a uma curiosidade, mas tambem ao receio em conhece-las.
Se vejo as nuvens no ceu e lembro da natureza, nao lembro dela como casa, habitacao ou outra poesia parnasiana. A terra tem, pra mim hoje, uma imagem e forca tao extraordinarios que torna-se independente da minha otica narcisista, que olha e dita: "essa eh minha casa, esse eh meu pais, esse eh meu planeta".
A terra nao precisa de nada, nem de nos.
Nao ha quotidiano ficcional que dure, e consiga explicar os arroubos da terra, do planeta, ou que consiga fantasiar uma harmonia natural onde nos, humanos, tenhamos nela uma escala.
Uma certa vez li um argumento filosofico que explicava que "ser no mundo" nao era um ser arremessado sobre ele, mas vinculado aos outros, a natureza, aos deuses e a longa jornada da vida. Quanta ilusao - tomo pra mim- essas coisas trazem! A propria ideia jah eh uma tentativa de conectar o que nao tem coneccao, naturalizar o que nunca foi natural, nos fazer acostumar a uma improvavel regularidade que a vida nao tem. Intencoes aflitas em aplacar o desamparo humano e natural, a solidao trivial de existir, a existencia em movimento.

Porque nao me sinto mal em estar arremessado sobre a terra, e vagando.
E nao me sinto indisposto com a monumental solidao que isso traz.
O que eu sinto, quando encontro outros igual a mim no meio do caminho, nao eh o encontro ou a solidao como coisas sentidas e classificadas, sentimentos domados em palavras, mas um redimensionamento de tudo que me motiva a caminhar procurando.
Sunday, 11 March 2007
Bom dia
Friday, 9 March 2007
Serie: para que escrever poesias, se jah existem tantas boas?
"És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e quando vens, não te demoras.
Foste tu quem ensinaste aos homens qua havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.
Felicidade, és coisa estranha e dolorosa.
Fizeste pra sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo, despovoado e profundo, persiste."
Custas a vir e quando vens, não te demoras.
Foste tu quem ensinaste aos homens qua havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.
Felicidade, és coisa estranha e dolorosa.
Fizeste pra sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo, despovoado e profundo, persiste."
Cecilia meireles
Thursday, 8 March 2007
Chatsworth

Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo. Como quem come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isso?
Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.
Hilda Hilst
Cornwall
Andei bebado escrevendo o blog. Bebado de confusao, confundindo um momento com a eternidade. Aih, fiquei triste, pensando no fim. Depois, como o fim viesse mesmo, pensei: Ah, entao, nao vou pensar mais enquanto o fim nao vem.
Recebo um telefonema da Cornualia, a terra dos pasteis. O que tem na Cornualia? Pasteis, ora pois!
Recebo um telefonema da Cornualia, a terra dos pasteis. O que tem na Cornualia? Pasteis, ora pois!
Wednesday, 7 March 2007
Parques
Descubro ontem a noite, pra meu terror, que tenho nao soh de preparar uma lecture para o PCHE no dia seguinte, mas tambem de entregar o assignment de 5000 palavras. A primeira reacao foi o panico, dores nas pernas, cabeca rodando. Depois passou: sentei e trabalhei ateh as 4 da manha, o texto estah pronto, impresso, a apresentacao tambem. Eu, de banho tomado. Um zumbi, mais especificamente dizendo, de banho tomado. Agora me vou para a lecture, duvidando se irei dar conta de falar um ingles inteligivel. Para meu treino, ontem trabalhei o dia todo com Carole, escocesa, e fui aprendendo o sotaque escoces: freidei pra dizer friday, seiti pra dizer site, e chamando todo mundo de gueis pra dizer guys.
Aparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Sonhos e sonos.
E lembrancas de dias bons passados com o Richard pelos parques, discutindo Deus, teologia, sexualidade, filosofia, tudo.
Aparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Sonhos e sonos.
E lembrancas de dias bons passados com o Richard pelos parques, discutindo Deus, teologia, sexualidade, filosofia, tudo.
Saturday, 3 March 2007
Meow
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