Sunday, 18 February 2007

Meu rigoroso juri

Me ocorreu uma ideia maluca: a de que, em tendo um blog literario, eu nao consiga me expressar mais do que eu mesmo considero "veleidades", como diria minha amiga Roma. Pois ter um blog eh impor-se a obrigacao de escrever, e sendo literario, escrever algo para ser lido. Isso me desperta um jurado que fui acumulando ao longo da vida, constituido por professores do colegio batista, inimigos muito particulares, padastros emprestados pela vida afora, e jah na universidade, um sequito de borrabotas querendo se passar por donos da verdade: todos eles reunidos com o dedo em riste e dizendo: "Renato, ao escrever seu blog, voce deve parecer ser um bom escritor, em consideracao aos seus provaveis leitores!"

Nem preciso dizer que a esse jurado dispenso minhas piores ofensas, muito embora por simples condicionamento seja tentado a ter algum respeito. Mas isso tambem passa. E se sigo a consideracao desses sabios e doutos que prescrevem as minhas piores sentencas, transformo isso tudo aqui numa outra maneira de me esconder na vida, como tenho feito de varios outros modos, igualmente falsos e pseudo-alguma-coisa. Que blog seja mesmo uma coisa classe media, a classe media pouco encorajada a expor o que pensa ao vivo nas festinhas de que toma parte, eu concordo, mas tem muita gente experimentando se expor, e nao vai ser um jurizinho de merda que me ira ditar como devo escrever.

Em ultima instancia, tenho na memoria algumas escritoras fabulosas, como Cecilia, Clarice ou Adelia Prado. Elas escrevem veleidades tambem, algumas beirando o extremo mal gosto ou a completa insensatez, criticadas pela pseudo e imbativel intelectualidade de plantao. Tambem as acho, no que sobrou do meu machismo nos dias atuais, mulheres melifluas e frivolas, mas - fazer o que?- eu as amo, e nem tanto as considero idiotas como para nao tomar o exemplo delas e fazer ao meu juri, de dedo em riste, outro dedo, na vertical, em resposta.

P.S.:
1)Na Inglaterra se fazem dois dedos. Uma vez, querendo aparecer, como sempre, C... difundiu isso, a historia dos dois dedos, mas aqui vim a saber a verdadeira razao. Na guerra dos cem anos, numa batalha em territorio ingles, um dos generais ameacou cortar os dedos de todos os soldados ingleses caso vencesse - isso para que eles jamais voltassem a manejar o arco e a flecha matadores. Ao final da batalha, vencedores os ingleses, eles imortalizaram o gesto dos dois dedos para cima, que converteu-se depois no V de vitoria de Churchil e no "fuck you" vulgar, como sempre, dos americanos.
2) Como se pode notar, me auto-censurei em prol do bem viver...

Muito educada, Joana Darc (1337–1453 lutadora na
guerra dos Cem Anos) nunca usou fazer o gesto com os dedinhos. Tambem pudera, ela era francesa.

5 comments:

  1. curioso por saber a composição do corpo de jurados.... (em quem será que o sr.elemento estará pensando?

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  2. cara cuidado com as nominações diretas.... dá uma voltinha ali....

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  3. logo de início, creio ter ouvido que o sr. El, curiosamente no discuro de boas vindas, solicita com gentileza que seus prováveis leitores se dirijam à.... como dizer.... puta que pariu.

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  4. Mário Quintana
    A Arte de Ser Bom

    Sê bom. Mas ao coração
    Prudência e cautela ajunta.
    Quem todo de mel se unta,
    Os ursos o lamberão.

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  5. Obrigado pelo wise advice. Eu conheco meu gado, ou melhor, meus amigos ursos. Voce nao conhece o episodio do "esquecimento", ha alguns anos atras, quando o referido urso "esqueceu" de postar um referendum vital para mim? Com amigos assim, eh facil achar excitante ser lambido por ursos, heheeh.

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