Monday, 24 November 2008

Adaptação. E como ninguém é de ferro, esse final de semana eu fiz das jacas minhas pantufas.

Monday, 10 November 2008

Eu tinha esquecido como era dezembro. E agora, começaram as chuvas, e o gosto antigo da minha infância voltou junto com o perfume de dama da noite. Minha escola ficava no alto da avenida Assis Chateaubriand, com vistas para a cidade inteira mais o viaduto de Santa Tereza. No fim daquelas tardes tudo se pintava de ouro com o sol se pondo sobre as paineiras. Essas, para completar a cena, explodiam suas sementes e a atmosfera ficava cheia de flocos dourados flutuando. A brisa ficava, então, visível, indistinguível da folia dos meninos saindo da escola.

Friday, 7 November 2008

Rápido

Acordar de manhã, bem cedo, parece ser igual em qualquer lugar. Esse sono que ainda permanece, um silêncio dentro da cabeça, a alma leve, eu inteiro combino com uma manhã nublada, tranquila depois de uma chuva.

Wednesday, 5 November 2008

Preguiça não, complacência.

Nunca ficou tão nítido para mim o nosso jeito brasileiro de "deixa-p´ra-lá". Trata-se de uma solução em forma de um aumento de paciência que a natureza arrumou para que suportemos o calor infernal, a falta de atenção que ele causa e, respectivamente, os erros causados pela falta dessa última.

O elevador emperrou? Se eu estou fora, "deixa-p´ra-lá" que eu vou de escada ou eu espero;
se estou dentro, assento no chão e vou conversar no celular enquanto me tiram, ah, "deixa-p´ra-lá";

Esqueceram de mandar um documento pelo malote? "deixa-p´ra-lá", que a gente avisa de novo e dá uma atrasadinha;

O trânsito está engarrafado e você preso nele? "deixa-p´ra-lá" e convença-se de que é melhor chegar atrasado com seu carrinho lustroso a ir de transporte coletivo, hm, ônibus, aquela coisa de pobre.

O "deixa-p´ra-lá" é um dar-se de ombros tipicamente brasileiro, um comportamento de reação diante de expectativas frustradas, evitando um comportamento exacerbado ali, uma "over-reaction" aqui, evitando muita exposição de sua pessoa como sendo aquele cara que quer consertar o mundo e por isso "não-deixa-nada-p´ra-lá".

Afinal, pela mentalidade brasileira, além de nosso esporte ser o futebol, nossa bebida a cerveja ruim, nossa pimenta única a malagueta, nossa festa o carnaval, a nossa única virtude é a paciência decorrente do "deixa-p´ra-lá": brasileiro não desiste nunca, não é assim que se fala?

A arte de procrastinar mora em solo nacional, a tolerância que justifica a minha incompetência se apresenta causada pelos outros para quem eu sempre exclamo: "deixa-p´ra-lá", e passo para frente a bola da minha incapacidade oferencendo um serviço ruim, saúde ruim, educação ruim, trânsito ruim, amizade ruim, engrandecendo essa bola rolante, que se fosse de neve ao menos refrescaria esse calor infernal, essa bola rolante e gigante que em algum lugar vai explodir, e nós vamos gritar "pra frente Brasil!". Ah, se ele não for, "deixa-p´ra-lá".