Para mim é raro ter esses tais planos, mais que um foco estendido sobre um caminho já em curso: foi assim planejar vir para cá, foi assim ser feliz no meu último apartamento (que era uma tristeza de bagunçado, mas eu era muito feliz) e vem sendo assim muita coisa que eu, ao invés de decidir, vou empurrando e vendo e medindo para ser aquilo que a gestalt terapia me traumatizou – e eu vou levar anos pra me desvencilhar: para ser o homem das preferências, ao invés de ser o homem das decisões. Para os que ganharam dinheiro nos anos 70 escrevendo a empulhação dos livros de gestalt terapia, a mensagem era a de que “preferir” era melhor que “decidir”, como se isso fosse um agente revelador da sensibilidade humana, agora reluzente após o lustro da gestalt. E eu, bobo que fui, cai nessa.
Mas eu não queria resmungar aqui. Não.

Fiquei sem dormir, mas sonhando. Sonhando e pensando possibilidades, todas igualmente possíveis, e todas igualmente frágeis. Porque sim, sonhos e desejos, quando estão se tornando parte da consciência, são como uma paisagem na névoa, se formando. Largando a bobagem ‘gestaltiana’ de “preferir” ao invés de decidir, quero mesmo é me decidir por meus sonhos, que eu bem sei podem se volatilizar daí a um segundo. Essa história de “preferências”, agora eu vejo, é fugir da responsabilidade de amar e ser feliz.
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