Thursday, 31 January 2008
Lamuria latina
Já estou ficando verde de saudade do Brasil, delirando, tendo visões que eu sei que só vejo porquê esse regimezinho sabático de frio e chuva e livros faz aumentar na memória o que provavelmente era simples dia a dia.
Meus amigos todos me estranham que eu tenha ficado mais crítico em relação ‘as importações culturais americanas e inglesas pelo Brasil; dizem que é loucura eu achar a música e a dança do “sabãozinho” original, ou, pior - que eu pirei por estranhamente ter começado a ver graça nas danças com música axé.
Mas a minha justificativa é uma só: essas coisas só o Brasil tem. Bem, eu posso estar perdendo o senso e me transformando num nacionalista, mas não se trata só dessas veleidades culturais, danças e estilos musicais. Digo que se eu estiver ficando tão nacionalista é porque também por diversas ocasiões já tive de confrontar, em seminários acadêmicos, o silêncio das platéias do primeiro mundo. Em alguns seminários aqui na Inglaterra foi notório que ouvintes nativos, os daquele país oportunista que se tornou a China e outros na mesma senda sequer me davam a impressão de ouvir, que dirá fazer perguntas. Uma certa ocasião incluí o assunto das favelas, e aí sim, o interesse apareceu – não o interesse acadêmico, mas mórbido, quase o de um espectador de freak show. Se nas platéias estivessem presentes outros latino americanos, então sim, as perguntas e os diálogos apareciam.
O que tem me irritado é não só a atitude colonizada que encontra seus standards em países de lingua inglesa, mas a pose que esses países fazem de se pensar como inspiradores para o resto do mundo. Até quando eu puder, continuarei insistindo que eles não inspiram mais do que os que neles moram, com um nacionalismo que nós brasileiros facilmente criticaríamos se alguns de nós o tivesse. Combater o nacionalismo para apregoar a aldeia global é, para mim, o standard da cegueira tupiniquim causada pelo colonialismo. Deus que nos livre.
Tuesday, 29 January 2008
Friday, 25 January 2008
Ingles eh facil, basta falar como o pessoal do sul de Minas
O cara chega e pede "Fork Handles", e o outro entende "four Candles"...
Wednesday, 23 January 2008
Curas completas das mentirosas propagandas victorianas
Por mim, a carreira de publicitarios era banida da face da terra.

Exercicios equestres caseiros: o vigor do exercicio equestre ativo marca Saddle.
Ja usado pela senhora sua alteza a princesa de Wales. Esse substituto de cavalos reais tem as seguinte vantagens:
- Promove a saude do mesmo modo que corridas em cavalos reais;
- Revitaliza seu sistema atuando de modo inspirador sobre todos seus orgaos;
- Age diretamente sobre a circulacao e evita a estagnacao do figado;
- Cura completa para obseidade, histeria e gota.
Melhor que a coisa em si - mais propaganda victoriana

"Marinheiros nunca se sujeitam a solidao do mar sem a sua companhia de marinheiro da marca Fob Flapdoodle, porque ela eh feita da borracha latex mais macia (Gutta Percha), de marfim alvissimo selecionado, de nitrato e genuinos pelos de cavalos. Geracoes inteiras de alegres homens do mar sabem que a Companhia de Marinheiros da marca Fob Flapdoodle eh, de diversas formas, muito superior a coisa real. Nao se deixe enganar comprando uma imitacao inferior, compre o melhor, compre Companhia de Marinheiros da marca Fob Flapdoodle.
Uso guarantido por 300 atos de onanismo ate que a borracha estrague.
Testemunho espontaneo: Almirante Horacio Nelson comenta que: "Isto eh melhor que a coisa real!"
Tuesday, 22 January 2008
Victorian Ads: uma epoca em que propaganda era boa
"Dispositivos para auxilio ao prazer movidos a vapor.The Disraeli.
Company Proprietors estao orgulhosos em apresentar este autentico dildonico leviatan. Apos alcancar sua pressao operracional de 400 libras por polegada quadrada, o pedunculo metalico solido de 8 polegadas Disraeli emite um assovio que lhe permite saber que estah pronto para acao. E gracas a seu mecanismo reciproco interativo, um piston de tripla expansao com veias realisticas, ele fara sua esposa alcancar as alturas do prazer, muitas e muitas vezes por toda a noite, enquanto voce o continuar alimentando com carvao."

"Emporium de acessorios para o prazer carnal Senhora A. Summers apresenta a nova colecao de costumes estimulantes para situacoes amorosas desenhados especialmente para divertimento em alcovas. Versoes em uniforme de "disciplinaria escolar libertina", "estaferma pervertida" e "enfermeira lasciva". Tamanho unico. Por favor, venha conferir nossa colecao de roupas de baixo para pervertidos, incluindo calcas esportes com praticas fendas pubianas, espartilhos para exibicionistas, e estruturadores de cintura de pelos cortados."
Extraido de um moderno folhetim vitoriano de 1887
Sunday, 20 January 2008
Para quem quer conhecer a cidade onde eu vivo.
Fashion Week frivolidade
Monday, 14 January 2008
Gente vagabunda.
Um mesmo vinho pode ser muito mais agradável ao paladar quando vendido a R$ 200 do que quando seu preço é R$ 10, segundo indica uma pesquisa recém-publicada pelo California Institute of Technology, nos Estados Unidos.
Segundo o estudo, o fator psicológico faz com que o grau de satisfação com o vinho aumente de acordo com o seu preço, tornando-o mais agradável ao paladar.
Os pesquisadores deram a 20 pessoas duas doses do mesmo vinho, dizendo a eles que a bebida havia custado algum valor entre US$ 5 e US$ 90.
A maioria considerou melhores as doses dos vinhos "mais caros".
Ressonância magnética
Os pesquisadores usaram uma técnica de ressonância magnética para observar o comportamento do cérebro dos pesquisados ao saborear cada dose de vinho.
Eles observaram as mudanças ocorridas na parte do cérebro conhecida como córtex órbito-frontal médio, que tem um papel importante na sensação de prazer.
O estudo mostrou que essa região do cérebro ficava mais ativa durante a degustação dos vinhos "mais caros" do que na ingestão dos "mais baratos".
Segundo o coordenador do estudo, Antonio Rangel, o resultado da ressonância magnética mostrou que a diferença na percepção de cada dose de vinho era real, não apenas imaginária.
De acordo com Rangel, o estudo pode ajudar em outras pesquisas que analisam os efeitos neurológicos do marketing.
Um importante crítico de vinhos britânico disse ao jornal The Times que a relação do consumidor com o preço da bebida pode ser comparada à reação de alguém em relação a uma roupa cara de uma marca famosa.
Segundo ele, porém, os críticos e consumidores freqüentes de vinho não seriam influenciados pelo preço.
Sunday, 13 January 2008
overcooked
...uma bosta, uma merda, a pior cozinha do mundo, nunca houve outra tao ruim.
A chave para entender isso esta na expressao "overcooked". Tudo aqui eh over. As frutas sao maturadas fora do tempo, os frangos sao inchados por hormonio, o leite eh aumentado pelo mesmo processo canhestro. E a comida, medo de que possa fazer mal, eh cozinhada ate virar nada, virar magma, virar uma pasta de neutrons, neutra e sem gosto. Aqui, ateh o alho tem gosto de isopor. Camaroes, seletos e graudos, tem gosto de alguma coisa entre palha e papel, de tao sobre-cozinhados. Nada escapa.
Faca o teste.
Quando tiver algum convidado ingles, ofereca-lhe a pior comida. Ele nao notara, exceto se tiver gosto, aih ele estranhara. E nao pense que eles querem sentir gosto, eles se acham otimos, elese e esse lixo de comida. Quero me livrar dessa comida de merda o mais rapido possivel.
Thursday, 10 January 2008
Idade
'Eu estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta
com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava
dependurado na parede. Estava escrito o seu nome, e de repente eu me recordei de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome. Era da minha classe do colegial, uns 40 anos atrás, e eu me perguntava: poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?
Quando entrei na sala de atendimento, imediatamente afastei esse
pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, e o rosto marcado, profundamente enrugado, era demasiadamente velho pra ter sido o meu amor secreto...
que que é isso!?
Depois que ele examinou o meu dente, perguntei-lhe se ele foi do
Colégio Edouard Montpetit.
"- Sim", respondeu-me.
"- Quando se formou?", perguntei.
"- 1959." Por que esta pergunta?", respondeu.
"- Eh... bem... você era da minha classe", eu exclamei.
E então este velho horrível, cretino, filho de uma p-u-t-a, me
perguntou:
"- A Sra. era professora de quê?"
Creu na Arte, cre na Arte.
Para empresario muquirana que nao entendeu: doar para museu causa promocao pra sua empresazinha. E eh um investimento longo, a populacao vai ver sua marca durante muito tempo.
Para publicitarios: nao dirijo uma palavra a eles, e desejo que a populacao creia cada vez menos na publicidade- que fique, ao fim de tudo, sempre associada a mentira e a irrelevancia, e assim essa profissao de mentirosos acabe.
Para os museologos: onde estao voces que nao conseguem entranhar esse museu na cidade de Sao Paulo? PelamordeDeus!

O que o comentario do Julio Neves poe em destaque eh o jeitinho miseravel-mao-de-vaca do empresariado brasileiro. Eles nao acreditam em cultura. Eles nao acreditam que o brasileiro PRECISE de cultura. Se dentro do masp houvesse umas mulheres melancias dancando Creu, provavelmente o Masp ganharia rios de doacoes. Brasileiro eh sempre burro, ignorante para essas coisas, e nao justifica o investimento atraves de museus, porque brasileiro vai na praia pra dancar creu mas nao vai no museu - essa eh a mentalidade do empresariado, confabulo comigo mesmo.



