
Pensando nos sempre estupidos cliches que dizem que o Brasil estah num buraco, ou num poco sem fundo, ou ainda num tunel sem luz no final, foi que eu me interesssei por um livro chamado "Buracos e outras superficialidades", de Roberto Casati e de Achille Varzi. Trata-se de um experimento filosofico que consiste em filosofar exatamente sobre... ...buracos!!!
A pergunta inicial - como toda pergunta filosofica - nao poderia deixar de ser outra senao "existem mesmo os buracos?" E a pergunta, na sequencia: "Se eles existem, o que sao?"
Os buracos, fazem notar os autores desse belissimo tratado, estao entre as coisas de extrema praticidade em nossas vidas, uma experiencia existencial, pelo que muitas vezes os filosofos evitam falar sobre eles.
O livro eh um exame ontologico dos buracos, investigando a identidade dos mesmos, sua geometria, seus papeis sociais no mundo de hoje e no passado e ainda a nossa percepcao sobre os mesmos.
Tres tipos de buracos sao classificados como "rombos universais": o buraco de fundo cego, o tunel (sem ou com luz no fim), e as cavidades internas (cheias ou ocas). Casalti e Varzi desenvolvem a morfologia dos buracos, estudando como os mesmos poderiam ser preenchidos, e concluem que os "buracos sao parasitas das superficies", podendo se mover, se fundir uns aos outros, dividirem-se, nascer, crescer e morrer.
Os assuntos em capitulos tratados no livro sao os seguintes:
1. particulares superficiais;
2. Corpos imateriais;
3. Buracos, tuneis e cavidades;
4. Enchimentos e superficialidades;
5. A historia natural das descontinuidades;
6. Pedacos e rombos;
7. Causalidade, formatos e solidez dos buracos;
8. Igualdade e nao substancialidade dos buracos;
9. Modos de se fazer um buraco;
10. Modos de se detectar um buraco.
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