Eu tenho particularmente um problema quanto a escrever blogs: querendo ou nao, de uma maneira ou de outra, os blogs que jah tentei escrever em minha vida tomam a feicao de um folhetim de frivolidades e eu comeco a amargar um sentimento de culpa e me sentir um pateta. Lembro-me que uma das poucas pessoas que declarava ser frivola ao escrever em blogs era a Roma, no blog dela, onde ela tratava de veleidades, frivolidades e frescuras, evitando qualquer licao moral ou "panfletarismo". Nao tenho o talento dela, nem, eu diria, a cara de pau que ela tem. Mas tem horas que um blog eh interessante para mostrar exatamente que as coisas sao simples, mais do que transformarem-se em arautos complementares de alguem ou de uma ideologia.
Foi pensando nessa ultima posicao, que decidi ser absolutamente perfunctorio hoje. Decidi que vou contar-lhes receitas culinarias. Bem, podem comecar a suspeitar: certamente mais de uma razao vai incutir em voces a suspeita dessa minha atitude: primeiro, ninguem dos meus leitores me tem como um cooker, segundo, nao tenho fotos proprias para ilustrar a receita, terceiro, serao receitas de pratos ingleses, pratos que internacionalmente sao reputados como grandicissimas porcarias, eles e a cozinha inglesa de onde vem.
Quanto as duas primeiras suspeicoes eu nao poderei argumentar nem fazer nada, exceto pedir aos meus queridos leitores que me creditem esse favor - o de aceitarem que eu posso e sei cozinhar - ao que eu retribuirei no futuro com um almoco a lhes oferecer quando do meu retorno ao Brasil. Quanto a ultima suspeicao - o pesadelo da cozinha dos bretaos - tenho a dizer que eu mesmo prodigalizei a ruindade que ela eh, a moderna cozinha inglesa, preguicosa, barata, sem sabor, vulgar e descuidada. Mas esqueci de dizer tambem que se alguem pesquisar dentro da cultura britanica ira encontrar excessoes rarissimas de pratos e receitas que, se nao sao nenhum acepipe de um cordao azul, pelo menos tem uma originalidade historica que torna sua degustacao interessante. Esse eh o caso da
Receita de Yorkshire Pudding
Le-se "iork-xir pa-dim" em portugues, a vogal "a" desmaiada. Apesar de termos a palavra pudim, seu significado aqui eh completamente outro. De acordo com a etmologia, a palavra "pudding" era, em 1305, o nome de um prato feito a partir de entranhas de porco ou cordeiro recheadas com carne moida condimentada. A palavra revela, pela sonoridade, uma provavel origem germanica, derivando da palavra alema "pud", que queria dizer "swell" (inchar, estufar, rechear em portugues). Por essa epoca, algumas variacoes da palavra entraram para o dialeto ingles, na forma de "pudgy", referencia feita para as barrigas atarracadas e estufadas e recheadas. Outra possibilidade dessa palavra ter se originado foi da lingua francesa, na forma de "boudin" e daih, "pouding", que quer dizer salsicha ou um tipo de embutido. O sentido moderno de "pudding" emergiu provavelmente em 1670, expressando comidas cozidas no forno ou no vapor, dentro de um saco. Pelos idos de 1851 existem resgistros de "pudding" ter entrado para a giria, como atesta a expressao "Puddinghead" registrada nessa epoca e que era usada para se referir amavelmente a pessoas estupidas.
O Yorkshire Pudding era tradicionalmente servido antes do prato principal, que poderia ser a carne assada de boi, no intento de reduzir o apetite e fazer a carne durar mais.
Hoje, o Y.P. eh frequentemente servido como um acompanhamento para a carne do prato principal, devendo ser crocante, macio na area central, e quente, saido diretamente do forno.
Ingredientes:
4 oncas de farinha;
1/2 colher de cha de sal;
2 ovos medios;
1 pint de leite e agua misturados;
2 colheres de sopa de caldo de carne, que pode ser obtida na carne que voce quer servir com o Y.P.
Como comer:
Yorkshire pudding servido com Roast Beef, muito caldo, petit-pois e legumes. Muito bom!
Competicao criada por Simmon Tracey
onde embarcacoes criadas com yorkshire puddings
descem o rio Sheaf. Comentam ironicamente que essas embarcaoes foram criadas por causa do excesso de enchentes que acontece no norte da Inglaterra. Tem doido pra tudo.
volta logo que eu quero comer isso.
ReplyDeleteai, ó...eu acho esse prato assim, como eu digo...engraçadinho tá bom?
ReplyDeleteTudo é a carne, nesse caso. Sem ela o que seria dessa receita chubby?
E vc tá oh-so-english, mandando a receita em onças, pints e farenheits!
Um luxo!
...e ai que saudade da Romíssima!!!
ReplyDeleteDiz pra ela voltar logo?!
deixa de ser despeitada. deve ser delicioso, isso sim. devidamente colocado. mas concordo com os farenheits. isso impossibilita tudo, a menos que recebamoms, pelo correio, os devidos instrumentos viabilizadores da coisa. congratulations, aunt jemima cesar.
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